1. Onde a pesquisa está
Duas frentes já rodaram. Juntas mostram o fenômeno, mas ainda faltava demonstrá-lo com o método original em escala nacional — o que esta entrega acrescenta.
Frente A
Validação Transição
Brasil, 2007–2025. Teste estatístico da hipótese de instabilidade das transições críticas (pré→1ºEF, 5º→6ºEF, 9º→1ºEM). Veredito: parcialmente confirmado — R² e MAE apoiam, mas o efeito é modesto.
Frente B
Novos Experimentos
Maceió, 5 experimentos (baselines, estratificação, incerteza, sobrevivência de coorte/GPR, espacial). Operacionaliza a ideia de tratar séries internas e de fronteira de formas diferentes.
Novo nesta entrega
Baseline nacional sem Kalman
Método original (série retroativa por escola-etapa, sem filtro de Kalman) rodado para todo o Brasil e com erro agregado por etapa — a evidência direta do gargalo que faltava.
2. Evidência do gargalo
Se as transições são um gargalo, o erro do baseline deve subir justamente nas etapas que recebem uma transição: 1º EF (recebe a pré), 6º EF (recebe o 5º) e 1º EM (recebe o 9º).
quanto a razão de fluxo se afasta de 1,0
referência para comparação
erro do melhor modelo por etapa
menor que nas transições
Como ler. cada barra é o WAPE de uma etapa no recorte escolhido. Troque o recorte no seletor acima do gráfico e o baseline pela legenda.
3. Propostas de método
Quatro caminhos para atacar o gargalo. A ideia central de todos: as etapas de transição não seguem a própria série temporal — elas dependem do fluxo de coortes entre escolas/redes. Cada proposta traz um recorte de viabilidade.
P1 — Roteamento por criticidade (interna vs. fronteira)
Por que ataca o gargalo: usa o modelo certo para cada tipo de série em vez de um só para tudo.
Cada série escola-etapa é classificada automaticamente: se a etapa anterior existe na mesma escola, é uma série interna (a coorte flui dentro da escola); se precisa vir de outra escola, é uma série de fronteira (transição estrutural).
- Séries internas → sobrevivência de coorte / taxa de progressão (GPR).
- Séries de fronteira → método de fluxo/rateio (P2 ou P3).
- Um roteador escolhe o modelo por série; o baseline temporal vira só o piso.
Prós: aproveita o que já funciona (GPR ganha nas internas) e isola o problema difícil. Contras: exige classificar bem cada série e manter dois modelos. Esforço: baixo (a infraestrutura já existe no Exp4/Exp5).
Viabilidade — Exp4 (Maceió)
21.01 vs 22.23 (baseline)
P2 — Taxa de transição hierárquica (rede → município → UF)
Por que ataca o gargalo: o fluxo por escola é ruidoso, mas o fluxo agregado é previsível.
Estima a taxa de progressão de coorte (quantos do 5º ano viram 6º ano, etc.) em níveis agregados e aplica shrinkage hierárquico: começa na escola e, quando há pouco dado/ruído, recua para município e depois UF.
- Preserva o sinal local quando ele é confiável.
- Estabiliza a previsão nas transições, onde a série por escola “quebra”.
- Interpretação direta para o orientador (é uma taxa de fluxo, não uma caixa-preta).
Prós: robusto, interpretável, barato. Contras: depende de definir bem os níveis de fallback e o peso do shrinkage. Esforço: baixo.
Viabilidade — Validação Transição (Brasil)
0.405 vs 0.178 (internas)
P3 — Fluxo por rede administrativa (não por proximidade geográfica)
Por que ataca o gargalo: testamos e a proximidade não é o mecanismo certo — a rede é.
O Exp5 tentou alocar coortes pela escola mais próxima (Haversine). Suspeitou-se que o problema fosse a qualidade das coordenadas (~40% ausentes). Testamos essa hipótese: removendo escolas sem coordenada e as no centroide do município, o método espacial continua perdendo para o baseline.
Conclusão: o gargalo não é geocodificação — é o mecanismo. A coorte não vai necessariamente à escola mais perto, e sim para onde a rede administrativa a encaminha (municipal→estadual, escolas-polo, vínculo de dependência).
- Substituir vizinhança por distância por relação de alimentação entre escolas/redes.
- Aprender fatores de captação históricos por rede e localização.
Prós: ataca a causa real. Contras: exige modelar a relação de alimentação. Esforço: médio.
Viabilidade — sensibilidade de coordenadas (novo)
| Recorte | Espacial | Baseline |
|---|---|---|
| (a) Todas as series | 50.2 | 18.79 |
| (b) Sem escolas sem coordenada | 47.62 | 17.94 |
| (c) + sem centroide (3+) e centroide-municipio | 46.88 | 17.69 |
P4 — Previsão top-down + bandas de incerteza na decisão
Por que ataca o gargalo: onde o ponto é incerto, entregue um intervalo calibrado e útil.
Dois movimentos complementares:
- Top-down: prever o agregado (município/rede), que é bem mais previsível, e desagregar para escolas por participação histórica — contornando o ruído por escola nas transições.
- Incerteza: em vez de um número só, entregar bandas conformais — mais largas nas etapas de transição — ligadas diretamente à decisão de compra de material (equilíbrio entre falta e sobra).
Prós: transforma o gargalo em incerteza quantificada e acionável; já há protótipo (Exp3). Contras: muda a “entrega” de ponto para intervalo. Esforço: médio.
Viabilidade — Exp3 (Maceió)
±158.2 / ±256.0 matrículas
4. Comparativo e recomendação
| Proposta | Ataca | Ganho esperado | Esforço | Risco |
|---|---|---|---|---|
| P1 · Roteamento por criticidade | Modelo errado p/ cada série | Médio-alto (ganho já provado nas internas) | baixo | baixo |
| P2 · Taxa hierárquica | Ruído por escola na transição | Médio-alto | baixo | baixo |
| P3 · Rede administrativa | Mecanismo de alocação na fronteira | Alto (se a alimentação for bem modelada) | médio | médio |
| P4 · Top-down + incerteza | Irredutibilidade do ponto | Médio (muda a entrega) | médio | baixo |
Fontes: Censo Escolar/INEP 2007–2025 (10,9 mi de registros). Baseline nacional: série retroativa por escola-etapa, sem filtro de Kalman, backtest t+2 (alvos 2021–2025). WAPE = Σ|erro|/Σreal por etapa. Sensibilidade de coordenadas: Maceió, 268 escolas públicas (13.1% sem coordenada). Recortes de proposta (Exp3/4/5) referem-se a Maceió.